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Luísa Castel-Branco

Princesa

Luísa Castel-Branco, 14.12.06

Desenhei-te umas asas e tu levantaste voo.

Pintei o céu de rosa, as estrelas de verde e a lua vermelha e tu para sempre os acreditaste assim.

Expliquei-te o mundo devagarinho para que não tivesses medo do escuro, do som das palavras dos outros porque o silêncio era e é em ti uma segunda pele.

Inventei um mundo só nosso, onde tu, os teus irmãos e eu vivíamos como se habitássemos uma ilha mágica e apenas visitávamos o mundo dos outros nas horas de expediente.

Lambi as tuas lágrimas, apreendi a tua forma de ser como parte desse mistério fantástico de ver crescer um ser humano.

E tu pegaste nisso tudo, embrulhaste as nossas memorias, os nossos risos e lágrimas e transformaste-te nesse ser humano poderoso que és.

E cantas, e danças e sobes ao palco e transformaste e eu sei, bem dentro do meu coração de Mãe, que apenas ali te permites a ti mesma ser aquela.

A outra, minha filha, continua a aninhar-se nos meus braços, mesmo quando aqui não estás, a pedir ajuda, mesmo quando as palavras não saem e com o mesmo medo do mundo que sempre teve.

Apenas o amor de Mãe tem o poder dos deuses , anjos e arcanjos.

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