Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Luísa Castel-Branco

Eu hoje

Luísa Castel-Branco, 16.04.09

 

 
Acredito que tudo na vida acontece por alguma razão.
Muito provavelmente é apenas a minha tentativa de colocar ordem no universo das coisas e dos dias, nas desilusões e nos espantos que os anos nos trazem.
Mas sim, acredito cada vez mais que tudo acontece por alguma razão e que devemos prestar atenção aos sinais, estar atento aos revezes e às pequenas coisas que perfazem as nossas vinte e quatro horas.
Quando somos jovens, tudo parece ser possível.
Depois, há um longo tempo na nossa vida em que corremos e corremos numa luta para sobreviver.
Quando já vivemos mais, muito mais do que metade da nossa vida, à certas palavras que ouvimos em tempos que começam a tomar sentido.
Quanto mais andamos para a frente, mais percebemos que não sabemos nada.
Que não temos respostas e só perguntas, dúvidas e o medo, esse medo de tanta coisa que se instala dentro de nós.
A meia-idade afinal nada é mais que desistir de acreditar que todos os seres humanos são intrinsecamente bons, que existe justiça e que na batalha entre os bons e os maus, estes são sempre penalizados.
Creio que foi Camus que um dia escreveu: “O inferno são os outros”.
Eu creio que o inferno, somos nós mesmos e os nossos arrependimentos quer do que fizemos, quer do que não fizemos ou dissemos.
Voltando ao início, não acreditando que nos rodeia um vazio, mas sim algo que não sei dizer ou explicar o que é, tento todos os dias estar mais atenta ao que me acontece, ao que falho, ao que digo, àquilo que os outros me dizem.
Contudo, perdi aquela inocência que dava um travo tão especial à vida e uma dose de loucura saudável, de audácia, da vida com um sorriso nos lábios.
Hoje quando vinha de carro para casa, o céu estava azul cinza e lá ao longe um negro, nuvens carregadas como que pintadas, desenhos numa tela.
Dei comigo a pensar que é bom estar viva para olhar a natureza.
Para esperar que amanhã um outro azul lamba a estrada.
 
 

10 comentários

Comentar post