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Luísa Castel-Branco

Carla Matilde disse sobre Insónias. E hoje não há luar!

Luísa Castel-Branco, 03.06.09
     
Cara Luísa, como me revejo neste seu texto! Também devo ter nascido na cidade por engano! E, por isso, vou amiúde à minha aldeia! "Minha"... Sim, já a considero minha, quanto mais não seja pelo amor que tenho àquela terra. Foi lá que passei a maior parte da minha infância, entre galinhas e outra bicharada, corri pelos campos, brincadeiras com os primos (sempre com a avó em cuidados, que a garotada era traquina), banhos no tanque, histórias e lenga-lengas à lareira, pintar a cara com o carvão!! Que belos tempos esses... Vou lá sempre que posso, como fuga ao stress da cidade e porque me reconforta toda aquela natureza envolvente. Como é bom acordar com o som dos chocalhos das cabras e abrir a janela e ver o Douro que se estende à minha frente!
Por vezes, sinto-me como se lá pertencesse, como se a cidade fosse só um local emprestado... A vida lá passa-se tão bem, tão serena e repleta de pequenas coisas simples que nos consolam a alma. E em cada passeio algo para (re)descobrir... despertar os sentidos... o aroma das madressilvas, o sibilar do vento entre a folhagem, o paladar de uma amora colhida do arbusto... Sou mesmo bucólica!
Já tenho pensado, "um dia destes, mudo-me para lá"... Quem sabe?! Há tempos alguém disse que a vida é uma busca. Busca do conhecimento, do sentido da nossa existência, da sabedoria... Tenho de admitir que lhe dou uma certa razão...
Parece-me que já estou a divagar e, tal como a Luísa, deve ser da insónia. A noite está amena e estrelada, embora os candeeiros citadinos não permitam ver os milhares de pontinhos no céu; não convida ao sono! Lá fora está silencioso, mas imagino o som dos grilos e dos raros, a água a correr nos riachos... A noite convida a que a contemplemos em toda a sua beleza!

Um abraço
 
 
 

 

Carla,

Li e saboreei o seu texto como se estivesse a reviver a minha infância e inicio de juventude.

Sei que é o tempo tão marcante na nossa vida, mas a natureza deixa garras, sons, perfumes dentro de nós para todo o sempre.

Pena tenho eu das crianças que brincam agarradas ao computador ou a uma das múltiplas invenções tecnológicas de que nunca se separam, na praia, no restaurante, sei lá.

Quando escrevi o meu primeiro romance "Alma e os mistérios da vida" muita gente pensou que eu teria vivido na província. Mas não. Apenas peguei nesses momentos de que fala, roubados às minhas memórias das "férias grandes", como então se chamavam, e inventei uma história com alguns rasgos de verdade.

Também eu gostaria de partir para o campo e ai viver para sempre., Contudo, tenho os meus filhos e a minha neta em Lisboa e por isso...quiçá. um dia!

Um abraço grande e por favor nunca se esqueça de tudo o que viveu.