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Luísa Castel-Branco

Medo do amor?

Luísa Castel-Branco, 10.06.09
 
  

Vejo com espanto quantos jovens estão sozinhos na vida.
Rapazes e raparigas entre vinte e trinta anos, ou já se divorciaram, ou já tiveram uma união de facto que terminou, ou simplesmente ainda vivem em casa dos pais.

Por muito que a noite da 24 de Julho se encha, os bares, as discotecas, os passeios e as ruas cheias de gente com um copo na mão, a verdade é que elas se queixam que eles não se querem comprometer, e eles queixam-se que não as percebem. Nunca se falou tanto de sexo, nunca se discutiu tanto os afectos e contudo, a solidão é cada vez maior. Os homens e as mulheres sempre falaram línguas diferentes e sentiram o mundo de formas diversas. Mas é exactamente a união destas discrepâncias que produz o todo.

Encontramos no outro o complemento de nós mesmos. E contudo, hoje sem tabus, sem repressões parece que a felicidade anda mais longe do que na minha geração. Claro que muitos de nós errámos e tentámos de novo, mas não é isso a vida? Seguramente que as múltiplas dificuldades quer financeiras, falta de emprego, realização pessoal ou outras tornam difícil sonhar o futuro. Mas não será melhor sonhar a dois? É por medo de sofrer que não se arriscam a amar, ou por egoísmo? Não sei. Mas cada dia mais tudo incluindo as relações entre as pessoas se tornam descartáveis. O prazer tem que ser imediato, o retorno imediato. Mas o amor não é isso nem se compadece dessa urgência egoísta e efectivamente triste.

Estou quase a dizer que dantes era melhor. Deus me livre de um dia chegar a tal coisa mas nunca se sabe!

in Destak 09 | 06 | 2009

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