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Luísa Castel-Branco

Que fazer com tanto progresso?

Luísa Castel-Branco, 16.06.09
 
 

Em poucos anos o mundo modificou-se totalmente. Talvez os mais jovens não tenham essa noção. Para eles do computador ao telemóvel, dos múltiplos canais de televisão à câmara digital, tudo é normal, rotineiro.

O progresso surge para facilitar a vida ao ser humano, para lhe dar mais qualidade, mais opções, mais hipóteses de ultrapassar quaisquer fronteiras. E contudo, parece que o tempo diminuiu. Chamar-se-á qualidade de vida ao que a grande maioria dos portugueses tem? A publicidade encarrega-se de transformar em indispensáveis produtos que verdadeiramente são completamente supérfluos. É quase como se tivéssemos que arranjar tempo para utilizar toda a parafernália que injectam no mercado a uma velocidade impressionante. A Televisão substitui a conversa em família, e hoje em dia crianças com seis anos já têm no seu quarto jogos electrónicos, além do Magalhães, que também vem com jogos!

O isolamento dentro de casa tornou-se um dado comum e muitas vezes, a comunicação via Net é a base da vida de jovens e adultos. Nos tempos livres, o destino escolhido são os centros comerciais, e passear num jardim é coisa do passado.

Porém, todos nos queixamos de falta de tempo.

Se pensarmos que tudo o que mencionamos contribui para o endividamento das famílias, que não são capazes de recusar aos filhos cada novidade que aparece porque os outros jovens já o possuem, o resultado é uma mistura de sufoco e preocupação.

Perante a crise económica mundial, será que vamos reavaliar o que realmente é indispensável? Duvido.

Enquanto adultos, jovens e crianças se emaranham em tantas solicitações, a palavra, falada, escrita vai perdendo o seu valor.

 

in Destak16 | 06 | 2009  

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