Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Luísa Castel-Branco

Etc

Luísa Castel-Branco, 22.06.09

 

Quando ligo o computador vejo a imagem. "Donde vimos; o que somo, para onde vamos". O quadro de Gaugin continua para mim a ser uma janela sobre a minha própria alma.
Chegada aos meus 55 anos contínuo sem respostas.
Pelo contrário.
Cada dia que passa tenho mais duvidas, mais perguntas, mais remorsos do que fiz.
Tantos erros!
Mas como podia eu saber?
E porque razão existem outros que passam por aqui sem estes desassossegos de alma e coração? Pessoas que parecem não necessitar de respostas ou sequer de equacionar as perguntas.
E contudo, a vida está prenhe de mistérios.
Sorte duns, azar de outros.
O bem que não compensa, o mal que parece florir, cobrir os dias e dar frutos doces, eternos.
Como percorrer este caminho? Como lidar com as desilusões que a idade nos traz?
Acreditar cada dia em menos pessoas, não saber a razão das coisas.
Como eu gostaria de ser outra!
Sem conflitos e perguntas! Sem este vazio que nada preenche!
Porque viemos aqui?
Que deixarei eu de mim quando o meu corpo tiver desaparecido senão o que transmiti a quem amei?
E se esses refutarem essa minha herança?
Afinal, de que serviu tanta luta?
Só sinto o silêncio, as sombras e as saudades.
 
 

3 comentários

Comentar post