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Luísa Castel-Branco

Jogo de espelho

Luísa Castel-Branco, 07.07.09
 
  

Um labirinto de sedas. O ser humano olha e o que vê não é a realidade, não é a sua própria imagem mas algo distinto, como se os espelhos fossem deformados e projectassem aquilo que cada um quer ver. Depois existe o labirinto de panos, sedas leves e translúcidas ou tecidos pesados, difíceis de mover. Caminhamos às apalpadelas, aos tropeções. Primeiramente enganados pelos espelhos mágicos iguais aos daquela casa na Feira Popular em que o corpo mais esguio virava uma bola. E de seguida, há que levantar os panos do labirinto, um após o outro e outro e outro, sem nunca terminar, sem parar a não ser no dia em que partimos para sempre desta existência. E porque temos medo, porque vivemos perdidos e assustados, escolhemos fazer o percurso acompanhados. Necessitamos tanto de estar inseridos num grupo que somos capazes de prescindir da nossa personalidade de forma a sermos iguais, que pouco a pouco nos diluímos transformando-se toda a sociedade em algo passível de ser categorizado, definido, sistematizado. Na verdade, cada vez nos reconhecemos menos. E para fugir ao medo, assemelhamo-nos cada dia mais um pouco a um enorme rebanho. E porque não? As ideologias morreram há muito, o Euro já é uma lembrança tão apagada quanto as ridículas bandeiras nacionais esquecidas. As relações entre as pessoas são cada vez mais fugazes, num país onde ainda não se alcançou um acordo para o ensino da Educação Sexual, a realidade em contrapartida já nos deu todas as respostas: somos o segundo a nível europeu com o maior número de mães adolescentes.


 

in Destak 07 | 07 | 2009

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