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Luísa Castel-Branco

Esperem por mim

Luísa Castel-Branco, 15.09.06

Não foi para isto que criei este blog.

 

Seguramente que não. Quando partilhamos pensamentos, devem ser profundos, devem ter actualidade, devem contribuir para alguma coisa, devem, portanto.

 

Mas pouso os dedos nas teclas e todo o cansaço do corpo, da mente e do meu coração flui para o teclado e não consigo, simplesmente não consigo, arquitectar frases, ideias ou uma linha de pensamento.

 

Doí me a vida espetada em mim e os olhos fecham-se do cansaço, do peso que permanece no fundo da minha cabeça, lá onde está a longa lista dos deveres não cumpridos, dos objectivos não alcançados, ou melhor, onde estão os objectivos?

 

Envelhecer é dificil. Existem dias em que a doçura das memórias e do hoje nos aquecem, mas noutros momentos, os dias arrastam-se e arrastam-se e nada parece ser o que devia.

 

É como andar à deriva num mar qualquer que tomou a cidade de assalto e o rio desapareceu, a minhas janelas mágicas desapareceram e eu levantei voo e fugi para o Castelo, escondida, quieta e silenciosa numa qualquer pedra centenária.

 

Por cá deixa esta, que supostamente deveria representar o meu papel. Mas parece que não o quer para nada e está de malas aviadas.

 

Vou trabalhar no fim de semana. Não estarei com os meus filhos e com a minha neta, nesses preciosos momentos em que os risos se confundem com os gritos de todos a falarem ao mesmo tempo, " quem quer mais ovos mexidos", e deles emana a Luz.

 

Deles advém o calor que enche o meu peito, dá cor ao meu rosto e todo o cansaço desaparece por encanto.

 

AH! Os nossos pequeno-almoço/almoço e quase lanche dos Domingos!

 

É quando eu volto a atrás no tempo, no tempo em que os tinha todos sobre a minha asa e era feliz, feliz, feliz.

 

E contúdo...

 

Sabe bem olha-los hoje e ver dois homens e uma mulher feitos, com caractér, com personaliade e dimensão humana.

 

E de repente, sem eu dar por isso, cada um recolhe ao meu regaço e eu volto a ser  aquela que lhes lambeu as lágrimas, aquela que lhes embalou os sonhos e lhes deu asas para voarem.

 

Cada um de nós tem o seu óasis. O seu Jardim Secreto.

 

Os meus filhos são o meu.

 

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