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Luísa Castel-Branco

Nada de novo

Luísa Castel-Branco, 08.10.09

 

 
 

Creio que foi após a interlocução do Presidente da República, que entrei neste período de "nojo", entenda luta, saturação, fastio ou pura desistência.

Apaixonada como sou pela política, pelas diferentes linhas de pensamento e especialmente pela evolução que os pensadores, dirigentes políticos e outros podem e devem trazer ao futuro da nação, este momento marcou a minha exaustão total.

Ainda ouvi os analistas, os comentadores, os comentários dos partidos e depois parei, desisti.

No próximo fim de semana temos mais uma eleição, mais um voto a colocar nas mãos de alguém, desta vez a pessoa a quem vamos confiar os destinos da nossa cidade.

E, contudo, fá-lo-ei sem ímpeto e alegria, cumprido apenas esse enorme valor que a democracia nos dá, o poder e a responsabilidade do voto.

Apercebo-me que outros sentem a mesma saturação. Portugal virou uma rua de quadrilheiras, vizinhos agastados e em disputas estúpidas à mesa da tasca da esquina, sobre as peças do dominó.

E em lado nenhum vislumbro um assomo de coragem, de alternativa, de projecto de futuro.

Perdeu-se a noção da vergonha e da integridade, como se mais ou menos duvidas sobre este ou aquele caso de corrupção já não tivessem qualquer importância.

As autárquicas são o exemplo mais evidente de que algo está mal neste País. Entre os que ainda estão à espera de cumprirem pena, aos outros que foram acusados mas nada aconteceu, a verdade é que cada vez mais nos assemelhamos a qualquer país da América do Sul.

Sinto uma enorme e profunda tristeza quando olho para Portugal, para o futuro dos meus filhos e da minha neta e o que vejo, é isto e nada mais.

 

in 06 | 10 | 2009   Destak

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