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Luísa Castel-Branco

“Não Digas a Ninguém”

Luísa Castel-Branco, 10.11.09

 

 

 

Olho para o livro em exposição na livraria e pergunto a mim mesma: quem o terá escrito?

Vejo o meu nome e não reconheço mais de um ano de trabalho, bloqueios, crises e a vida, sempre a realidade a pesar-me nos ombros como um casaco molhado.

É bem verdade o que me diziam os escritores que entrevistei: Quando as palavras são impressas não mais nos pertencem.

São como o filho que abandonou cedo de mais o lar, cresceu e anda por ai, nas ruas, nos braços de outros.

Sensação tão estranha esta. Ouvi há poucos dias dizer Lobo Antunes (o gigante): "...sinto-me como um ladrão quando recebe um prémio ou um elogio. Não fui eu que escrevi o livro, apenas sou um transmissor das vozes que ouço e o destinatário é o leitor"

São efectivamente vozes que nos perseguem dia e noite, nos dominam o corpo.

Exigem que as tornes reais, nesse outro mundo que existe do lado de lá, e quando dou por mim passei para esse mundo irreal onde a realidade é muito mais plausível, concreta.

Até à ultima palavra de um romance, as vozes dominam-me e não o contrário.

Não posso dizer que vai ser assim e assim. Não me deixam.

Mas é bom saber que grandes figuras da literatura vivem assim, dia após dia.

Li que ninguém escolhe viver nesta duplicidade, que é ao mesmo tempo uma maldição e uma bênção.

Sinto-me como se estivesse à beira do precipício e não conseguisse deixar de olhar, fascinada, maravilhada, certa que estou de que ganharei asas quando saltar.

 

Nunca tive escolha. Tenho que escrever todos os dias e compulsivamente e se sempre o fiz, agora vivo numa luta contra o tempo.

Dar início a esta aventura aos 54 anos é, uma vez mais, lutar contra a ordem das coisas.

Só espero que os leitores partilhem desta minha "viagem" com o mesmo prazer como aconteceu com "Alma e os Mistérios da Vida".

Basta uma só pessoa sentir-se tocada pela minha história, e terá valido a pena.

 

 

 

 

 

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