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Luísa Castel-Branco

Silêncio...

Luísa Castel-Branco, 02.12.09

 

 

Chorei-te tanto que o Tejo transbordou sem que ninguém entende-se porquê.
As colinas de Lisboa começaram a verter aguas e toda a gente a procurar as fontes, por entre os prédios, os automóveis e a calçada que veste a cidade.
Os dias ficaram baços, pesados, e as pessoas sentiram no peito a mesma dor que eu sentia, como se a pujança deste sofrimento fosse maior do que a própria mãe natureza.
Chorei-te dias a fio e depois parei.
Parei de chorar. Parei de pensar. Parei de viver.
E quando ontem te encontrei na rua, e trocamos palavras de circunstância e me disseste quão bem eu estava, o meu rosto sorriu, tenho a certeza, arredei delicadamente uma madeixa de cabelo que teimava em cobrir-me o rosto, o vento lambia-nos aos dois, conversamos sobre o vento e a chuva.
Estou segura que acreditaste que era eu que ali estava. Aliás toda a gente acredita. É absurdamente fácil fingir que estamos vivos.

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