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Luísa Castel-Branco

Segredos de noites e dias assombrados

Luísa Castel-Branco, 17.02.10

 

 

Só me sinto verdadeiramente livre quando escrevo. São os momentos mais próximos da felicidade, da entrega total e simultaneamente deixo de ter corpo, peso, circunstancia. Quando as vozes chegam e me segredam ao ouvido, me enchem a alma de mensagens e o coração de urgência em fugir qualquer lado onde possa estar só e dar corpo às palavras que flutuam dentro de mim como nuvens de açúcar, é nesses momentos que eu sou eu, o então que a outra que eu não fui encarna em mim.

Não estudei a forma certa de escrever um romance, mas li muitos livros com ensinamentos e não segui nenhum.

Por isso a minha eterna gratidão à Rosinha Lobato Faria porque me ensinou a aceitar estes fantasmas vestidos de palavras e dar-lhes voz, ou melhor deixá-los escrever por mim, porque na verdade as minhas mãos dançam no teclado do computador musicas que desconheço, melodias que nunca ouvi.

E quando escrevo, não falo sobre mim, ou quiçá, as vozes vestem-me com a cor do meu próprio nevoeiro.

Não sei explicar nada. Não procuro mais explicações e apenas espero com ansiedade que elas cheguem de mansinho ou num rompante que me ergue da cama pela madrugada adentro.

 

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