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Luísa Castel-Branco

Dizer adeus

Luísa Castel-Branco, 25.01.12
Tenho um buraco onde antes estava o meu coração e o corpo,

esse, de tão moída pela dor assemelha-se mais a um monte de farrapos caído no
chão. Os olhos de tanto chorar sumiram-se e deram lugar a duas
névoas sem vida.

Queria gritar e não consigo. Queria fugir e não tenho para onde. Queria pedir ajuda, mas como ajudar quem se maltrata?

Mesmo quando tememos que um dia haja um fim, nunca estamos
preparados para esta dor tão monstruosa.

E de repente, todas as boas recordações desaparecem, todos
os encantos partilhados, os perfumes saboreados, tudo deixa de ter existência.

Fica apenas a raiva, mas uma raiva surda, apática. Como se sempre soubéssemos que ia terminar assim, como se
tivéssemos chegado junto do abismo, só para descobrir que já ali estávamos há
tanto, tanto tempo, num equilíbrio instável.

Ah! Esta dor que não se mede, não se vê, mas que se agarra à
pele de tal forma que não desaparecera nunca mais! E ao nosso redor nada mais do que o silêncio, um silêncio
pesado e prenhe de sons.

Houve tempos em que fomos só um, recordas-te? Houve tempos em que o amor era suficiente.

De que vale a pena pensar nisso? Queria fechar os olhos e adormecer, num sono profundo que me
trouxesse o esquecimento.

Em vez disso sobram os dias e a obrigação de colocar a
mascara e fingir que está tudo bem. Dizer Adeus é morrer por dentro.

 

In Destak 16 | 01 | 2012

 

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