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Luísa Castel-Branco

Ser avó

Luísa Castel-Branco, 20.03.13

Levei o meu neto Simão ao Oceanário. Com dois anos e pouco, quanto mais nos embrenhávamos no escuro, e sempre que chegávamos junto de uma daquelas enormes janelas de vidro, bem mais altas do que eu, onde os peixes se mexem como se nos fossem apanhar, com a sua mão a agarrar um dos meus dedos, dizia para si mesmo: “A avó está ‘qui!” Sempre que se assusta diz o mesmo, como se o relembrar-se a si mesmo da minha presença parasse todos os medos. Aquelas palavras ressoam na minha cabeça e principalmente no meu coração todos os dias. A toda a hora. E o sorriso dele, Santo Deus, nunca conheci uma criança que tanto gostasse de rir! Vê-lo acordar de manhã é um privilégio. Quando brincamos os dois torno-me numa menina ou então volto aos meus tempos de jovem mãe. Tudo isto me veio à cabeça porque o mesmo sentem neste momento milhares de mulheres. Avós com o coração cheio de amor. Avós para quem estes momentos de terrível crise que vivemos desaparecem por magia quando temos um neto ao colo, quando rimos com ele, quando olhamos a vida através dos olhos deles. O povo diz “Deus dá-nos os netos para adoçar a velhice”. Nunca tal foi tão verdadeiro. A nós, novas demais para sermos velhas, velhas demais para sermos novas e perdidas em busca de ajuda.

 

In Destak 18.03.2013

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